a minha vida dava um filme… estúpido

(qualquer campo de ciência) alternativa?
não, obrigada *dar passos atrás lentamente e domar a fera enquanto me escuso*

já fui diagnosticada – sou médium e tenho energia de almas passadas (disseram-me – e então percebi porque comecei a ser evitada por pessoas que conheço desde a infância, adultos que não podiam estar perto de mim pois sentem dor de cabeça… opá! nem sei o que respondi quando me disseram isto mas tentei não rir nessa altura).

Sou médium – “enquanto não soltares os teus potenciais, a tua vida vai ser cheia de horrores”.

Fui bastante rude na minha resposta, não interessa – um par de estalos eram devidos.

Depois ri-me, abanei a cabeça, fui embora.

Já me disseram “Sabes o que aconteceu à tua Mãe? A culpa é tua… é é… não queres acreditar, tens de explorar esse teu dom… olha, vês o que pode acontecer? Achas que não teve a ver contigo? Tens muito a aprender”

A essa não fui rude. Nem simpática. Fingi que não ouvi e fiz cara de estar a pensar em nada – senão ia criar um problema para a vida inteira, logo ali, no quarto despido, no ar carregado de desinfectante. Ia desfazer alguém em pedaços.
Arrancar-lhe as unhas uma a uma – e enfiar-lhe os dedos num destruidora de papel. Depois, ia tudo fora pela janela.

Mas depois quem se lixava era eu… (coisas que não percebo #182 – face a algo deste género, devia ter direito a ser considerada auto-defesa, quanto mais mental)

Arrancaram-me daqui para ir ali… e depois ali ao lado… e é tudo esotérico, e escuro e com pessoas a jogar ao faz-de-conta –  e eu jogo ao “vou tentar não matar ninguém”.

Uma vez um homem (num quarto de luz verde escura e com uma pequena mesa ao centro) disse-me o seguinte:

Era uma merda deste género mas o quarto era somente uma cela (sem janelas) e muito, muito pequena. Baforenta e com carpete, só cabia no centro uma mesa pequena e duas cadeiras.
A luz verde era muito MENOS intensa do que aqui. E mesmo por cima. 
Dava para perceber as expressões faciais pelas sobrancelhas. 

“Eu também já fui ateu (bla bla bla eu a ver as horas a passar)… mas depois… bem, depois a minha mulher ficou 12 dias sem dormir! 12 dias!!! … e no desespero, no decorrer de a ver definhar, eu resolvi, pela primeira vez (yeah, right) rezar a nossa senhora. E ELA ADORMECEU NESSA NOITE”.

Ele contou-me a história toda da vida dele, foram uns 15 minutos. Terminou com aquela determinação.

“Pudera, coitada da mulher, já não dormia há 12 dias não acha que já era um esticão? Deve ter caído para o lado…” (tentei olhar para ele ao responder mas não dava para perceber onde estavam os olhos – em que raio fui eu enfiar-me para calar outra pessoa…)

Claro que entrei numa discussão bem alta (pelos vistos fala-se baixo nos sítios com cruzes) com um homem que se viu desafiado por uma garota.

E eu só me ria.

“Não!! FOI NO DIA EM QUE REZEI”.

“… e então? admira-me não ter dormido mais cedo. Mas é uma coincidência bonita”

“E FOI A NOSSA SENHORA – AHH MINHA MENINAAAA AS COINCIDÊNCIAS NÃO EXISTEM!!” (aqui passou de simpático a querer converter-me a idiota nojento, já sabia que não ia ganhar pontos por angariação)

“Olhe…. devia agradecer aos médicos que depois a viram… e ver se há algo de neurológico a funcionar mal, não acha estranho? Nunca aconteceu antes? Conte-me lá – como é que a sua mulher costuma dormir?” (não fui sarcástica – estava curiosa e achei que podia desviar para uma conversa mais ou menos normal)

“Médicos!! Ha!! Eu também acreditava neles, julga o quê? Mas agora sei … o poder… o poder é tão mais que isto…….*abre os braços e olha para todo o lado desvairado*”

Digamos que o homem em si não era assustador, mas estar numa espécie de cela com ele e uma lâmpada verde escura que quase não me deixava perceber a sua face… isso já é diferente.
E a mesita de madeira era… bem, pequena e eu estava ali a encolher-me para tentar evitar qualquer possível toque no corpo de tal … coisa.

Nem acredito que perdi quase 1 hora a tentar fazer alguém desistir da sua fé – mas, sejamos justos, ele tentou primeiro (coitado).

Lembrei-me desta pequena ocorrência… ia a escrever outra coisa mas lembrei-me de ver as feições mal encaradas debaixo da luz verde e ri-me.

Agora não me apetece falar do resto.

Depois falo do resto.

Já me ri um pouco, já me chateei também.

Agora vou comer gelado de limão (mais precisamente o segundo melhor gelado de sempre – Carte D’or Limão com Merengue e Bolacha… fuuuckkk….drool)
E depois escrevo o que vinha escrever.
E vejo um documentário.
E penso na vida.
Rio e/ou choro.
Banho quente.
E depois vou dormir.

E depois, não sei.
Posso morrer durante o sono.

Se for esse o caso, live for me please.

Leave a Reply

Your email address will not be published.