edt água

sonho todas as noites com
água

fontes, lagos, mar, piscinas…

água como atracção principal de outrora um excelente repouso

beira-mar, cascatas…

têm sempre um sentido de missão – é para ali!
vai, de que estás à espera?

e os pés enterram-se na areia, escorregam à volta da piscina, molham-se com as partículas espalhadas pelo ar, molhadas, tentadoras, envolventes, em abraço.

nunca lhe consigo tocar. Sou sempre levada, puxada, contra minha vontade, para longe dos corpos de água, onde o meu não se sente tão confortável.

era… agradável (vá) acreditar num qualquer sentido dos sonhos, detectando através de mapas mentais o significado do azul tão… tãããooo…; mas desconheço, e duvido da minha possível crença.

todas as noites tenho a liberdade de mergulhar
e todas as noites algo ou alguém me puxa, mais usualmente para cidades evaporadas em cimento. Janelas mil, prédios que me engolem no seu cinzento. Conversas trocadas, palavras escusadas, cansaço de mim.

depois acordo, entre paredes brancas (pintalgadas de lima e lilás) e tenho sede, tanta sede.

sede para beber, sede para querer, sede para sentir água quente, quente ou fria, fria a bater nos ombros e salpicar a parede.

e satisfaço-me assim, ao ter-não-ter, no mergulho superficial, daquilo que se afigura uma espécie de salvação sem nunca se concretizar.

(repito para mim: falta pouco… falta pouco… daqui a nada serás livre)

repete-me se me esquecer.

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