Jahi McMath

a morta que poderá alterar a definição de morte cerebral.

Long story *crack my knuckles*…

Há uns anos que sigo esta saga que pode resultar, dependendo dos juízes e do seu próprio “juízo”, no maior set back da Medicina desde que tenho memória (pelo menos num assunto tão determinante e bem delineado como é o conceito de “morte cerebral” AKA MORTE).

Espanta-me não ouvir falar do assunto por estes lados – se calhar é pelo melhor. Não quero mais gentinha a fazer este tipo de estratagemas. Por outro lado, tenho receio de que passe demasiado ao lado. E a haver consequências, vão ser consequências que nos vão afectar.

Vale a pena a informação – quanto mais não seja como reflexão.

Eu deixo aqui um resumo do caso com TODOS os detalhes – aqueles que fazem a diferença entre a ciência e a ganância (ou “religious freedom”).




I

Vou utilizar, para referência, as duas versões que coexistem nestas estranhas ocorrências.

V1 – o que foi provado pelo hospital, testemunhas, fotografias, relatórios e até mesmo a história que a família aceitou como sendo o report certo – até ao momento em que começaram a ter outros objectivos em vista.

V2 – A versão agora defendida pela família (maioritariamente a Mãe – ainda não percebi se é freak religiosa ou se se converteu assim à última da hora para maximizar os ganhos).

II – Jahi

2013
Jahi McMath.
13 anos. Obesa.
Apneia e mais problemas respiratórios devido… ao seu peso.

Em vez de fazerem a miúda passar por uma valente dieta – vamos lá a operar.

III –  operações

V1

reconstrução de fossas nasais
remoção de adenóides
remoção de amígdalas
remoção de úvula, remoção do palato mole… enfim (fiz tradução da lista, acho que está certo)
Entre outros “toques…”

Basicamente, reconstruíram o sistema respiratório superior para ela respirar melhor e poder continuar a engordar sem ter de se preocupar mais.

V2

(após uns meses sem contestar a info do hospital, a família informa nos media)
A operação tão simples quanto remover as amígdalas

Resultado:

Claro, os media, apanharam a versão do “foi só tirar as amígdalas” e correram com isso.

Percebem?

Pronto.

IV – pós-operatório

Horas de cirurgia extensa, invasiva e perigosa. Deveria ser uma recuperação cuidada e atenta.

A rapariga acorda bem.

A seguir?


V1
O quarto de Jahi estava cheia de membros de família com bolos, donuts, comida em panelas (isto é confirmado pelas fotografias que a família, em “altura de festa”, tirou e publicou no instagram). Aquilo começou a incomodar enfermeiros e outros que por ali andavam, “mas enfim”.

Jahi pede para comer um hamburguer. Claro que os idiotas dos pais acedem ao pedido. Não perguntam a médico algum sobre aceder ou não ao pedido.

O quarto nos cuidados intensivos onde esteve Jahi – a bagunça que a família criou

Vão à vending machine mais próxima e arranjam a porra do hamburguer. Depois? Gelado (ouvi dizer que era de chocolate) – YUM!

A Avó de Jahi (ex-enfermeira num centro clínico muito simplório) estava lá.

E foi quando, em amena cavaqueira com uma rapariga de 13 anos que tinha acabado de acordar de uma extensa cirurgia, Jahi começou a perder sangue por todo o lado. Sangue escorria da boca e nariz.

O que faz a Avó? Enquanto não chega ninguém, pega na ferramenta de sucção e põe-se a percorrer o interior (todo desfeito ainda) da boca da neta. Enfia-lhe o tubo pela boca e nariz para tentar evitar a hemorragia.

Podiam até ser uma família muito Do-It-Yourself. Eu também gosto disso.
Mas há limites.
O tubo foi estragar o minucioso trabalho de reconstrução e CLARO que a hemorragia não parava, piorou.

V2 – defendida pela família (uns meses após os acontecimentos quando decidiram processar o hospital)

Estava tudo óptimo! A miúda reluzia e cantava ópera!
Não incomodaram uma única alminha nem lhe deram nada a comer!
De repente e enquanto a rapariga tentava falar, começou a enxurrada de sangue.
E a Avó não fez nada.
Ficaram 5 horas a desesperar à espera de alguma intervenção. CINCO HORAS.
E nada fizeram senão pedir ajuda – não lhe tocaram.

V – declaração de óbito

Aqui não há debate.
Jahi entrou em paragem cardíaca.
Depois de extensa perda de sangue, mais de dois litros desse foram recolhidos dos pulmões. 
Ligada a suporte de vida, as observações necessárias concluíram que – acabou.
Declarada a morte cerebral > declarado o óbito.

VI – depois da morte

V1 – Médicos e outros falaram com a família para possível doação de órgãos.
V2 – A família quase foi insultada com tanta insistência para doação.
Surge aqui o facto. O FACTO.

Se Jahi está morta, a indeminização por parte do hospital seria de, no máximo, 250.000dls.
Se Jahi está “viva”, não existe sequer um máximo de valor a receber pela família.
Os pais recusaram a doação de órgãos e o desligar das máquinas porque “acreditam” que Jahi está viva – segundo a religião que apregoam, enquanto o coração bater, ela tem possibilidades de acordar.
(ou seja, enquanto as máquinas trabalharem por ele).

E começa o circo…

VII – ciência vs religião

Há gente mui maluca por estes lados.

Ao abrigo de uma lei em New Jersey que permite cuidados médicos a pacientes … mortos (neste caso eles somente protegem o direito de tratar de alguém ao abrigo do respeito pela religião individual).
Ou seja, se a religião da Mãe lhe diz que enquanto o coração bater ela está viva, viva ela está (in your dreams).

Mas isto não era problema algum por si só – qualquer pessoa, meio desvairada e de cabeça em fumo por religião, se calhar lutava.

A família de Jahi encontrou um apartamento em New Jersey e mudou a rapariga para lá….

Começam as entrevistas, os documentários e o caso de maior ingenuidade/malvadez (depende da perspectiva)… e o caso que está pôr em causa O CONCEITO DE MORTE.

Arranjaram um quarto e os donativos começaram a voar. As pobres crianças filhas do casal foram atiradas para trás e os Pais … meu deus, eu não queria dizer isto assim mas é notório que estão a profanar um cadáver.
Jahi McMath está ligada a máquinas que fazem com que todo o seu organismo se mantenha funcional, não respira por si só sem o coração bate por si só.
Está ali… morta… mas apaparicada como se fosse para um desfile de moda.
Entretanto, a Mãe pede a todos para continuarem a rezar *facepalm*
Sinais de necrose, esconder os olhos que já estão encovados, os lábios, dedos das mãos e pés já apresentam necrose…
Mas a MOMMANAILS faz-lhe trancinhas, diz que ela já é uma mulher, posta imagens da manicure que fez à Jahi… enfim, uma coisa horrível – acho sinceramente que devia ser candidata a passar umas férias na prisão.
Nos entretantos, imagens destas inundaram o caso.
A rapariga tem um tubo na traqueia – a família diz que não.
A miúda não se mexe – sentam-na e seguram o corpo e tiram foto das pernas “ela já se senta!”.
É ridículo…

Bebé quando crescer – estive ao colo de um cadáver

Dead…

Still dead but with hearts covering eyes.

A fingir que ouve música – lol

Nunca tinha visto uma manicure numa pessoa morta.

Aquando do aniversário….
Thank you lord for the possible money!

 

necrosis
Profanação… abuso…

“Ela já se senta”……….. Consigo fazer isso com um gato atropelado.

necrosis

fashionable dead person!

no comment

Porque aplicar batom e lipgloss numa pessoa morta é … nem sei

Enfim.

Sabem como isto está agora?

a família encontrou um bom advogado – que está a ser bom porque 1 – dinheiro 2 – dinheiro 3 – exposição mediática.
A família acha que ela está viva e que vai acordar uma linda mulher (achava isso mais possível com a Terri Schiavo…).
Foram a tribunal pedir autorização de revogar o estatuto – contestar a morte cerebral.
E sabem que tal? FOI ACEITE.
Agora sim, estão todos os médicos e a comunidade médica de cabelos no ar.
A ética, sobretudo.
E SE, provas reunidas (tipo as que acabei de mostrar) forem suficientes para uns idiotas quaisquer?
Se um juiz supremo achou correcto dar a oportunidade de demonstrar que ela está viva….
HOJE A MORTE AFINAL NÃO É A COISA MAIS CERTA.
Porque o fanatismo religioso já se entranhou.
demasiado
e este caso dá cabo de mim! como é possível manter-se carne em bom estado.
No início pensei “a família deve estar de rastos e não quer desistir”.
Nope.
Em vez de 250.00dls pela Jahi morta, o infinito de zeros é seguramente mais apelativo.
(e a Mãe mostra muitas vezes as compras de roupa de designers, de sapatos de 1000dls, de jantares exquisite!).
I. Am. Angry
***
http://www.docbastard.net/2015/05/jahi-mcmath-updatesort-of.html

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