restlessness

tudo de bom, em formato paixão,
acaba por se assemelhar
a tudo de mau, em formato de saudade.

De ambos se pode morrer.

o estado restless? elemento comum
não deixa respirar mas deixa sonhar

tanto com a saudade como com a paixão

O corpo esquece o que é devido
o peito aperta e respirar dá tonturas
A cabeça?
atira ao ar a razão (mas não deixa nada que a substitua)

estamos pois num estado
de restlessness sem sentido
ou se calhar, com todo o sentido do mundo
não sei

com amarras que nos apertam a pele de alto a baixo
cordas grossas e rudes
cortam e ferem enquanto nos tentamos libertar
até sair sangue e deixarmos de tentar

E entretanto o corpo não para
Dentro de si mesmo

de fora nada se vê
– talvez somente o olhar vazio
mas, por dentro acontece
o mais alucinante dos movimentos.

perde-se fome
foi-se a sede
não é possível viver em tal embalo
o que é horizontal?

é a tristeza
e também a alegria (interrompida) da paixão
que se juntam para construir um muro a duas partes
caixão invisível de onde nada se vê
a não ser os grãos de areia que começam a permear
as pequenas fendas por onde teríamos possibilidade de fugir

Não me consigo mexer
os olhos ficam somente no abstracto,
ouvidos atentos ao ruído exterior
talvez alguém seja forte suficiente
para derrubar o muro sem me magoar

e, curiosamente,
no caixão imaginário
onde pouco há de espaço para ser humana
nunca antes senti tanta agitação.

os gritos não são tão fortes
cada pedido de ajuda é composto
por um sussurro meloso

tudo e todos passam por mim
e não percebem através dos meus olhos
que quero gritar.

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