são 3

de todas as coisas que considero “esotéricas”, mindfulness fazia parte da lista.


aplico o “esotérica” a qualquer pseudo-ciência, charlatonice, coisas-que-se-dizem-zen, coisas-sobre-signos e derivantes e … homeopatia.

é a lista de coisas a evitar
(ainda tenho a mania de dizer e escrever “coisa(s)” a torto e direito – vem da altura em que classificava tudo através da palavra – “coisa agradável de se fazer à tarde”, “coisa com cafeína que sabe bem de manhã”, “coisa chata da vida”… adiante)

mindfulness ficou muito vogue há uns anos atrás e assim que ouvi falar da coisa (não vou lutar contra os instintos) coloquei alho à volta do pescoço e segurei uma cruz à frente.

não quis saber e pensava que era o mesmo que tarot. Que é como quem diz, um passatempo com cartas que têm personagens (como as Magic).

Certo dia porém, ouço Sam Harris falar de mindfulness.
“Hey! Vai sair asneira, ele vai atacar lindamente”.

fiquei parva a ouvi-lo falar de como descobriu aquela coisa. E falava mesmo bem dela, a coisa!

hesitante, ainda, não voltei a querer saber.
até estar completamente desregrada e desregulada e precisar de uma “espéce de coisa zen” para me acalmar.

Ora aí está ele a conduzir uma sessão disso.

Até aí nunca tinha tido sucesso com coisas-zen-da-vida – ioga, meditação de qualquer género (não são todas iguais?!). Já tinha partido uma cadeira e destruído a confiança na minha flexibilidade.

Mas… agora vou falar a sério.

São 3. Agora.

De cada vez que me deixo levar pela voz do Sam Harris, fico sempre com sono.
Muitoooo sono….
Mindfulness precisa daquela voz, concerteza.

E no meio do “inspira expira bis bis bis até um dia morreres” ele fala de pensamentos alheios.

Pede precisamente para os observarmos antes de podermos descontrair.

Eu penso muito por imagens, cores… – a componente visual é muito forte em tudo o que faço, penso, digo, sonho.

Há cerca de um ano, havia somente um pensamento que me perturbava o descanso.

Era cinzento. Parece uma gota – tenho noção de que se inicia mais acima mas apenas vejo a bolha criada no final do percurso.

A bolha cinzenta tem algumas nuances mais escuras e daí consigo perceber uma ou outra palavra e um cenário – dentro do cinzento.

Conseguia imaginar a bolha a ser soprada, a ir embora. Deixava um rasto de cinza mas se soprasse com mais força, ficava somente com o quadro preto.

Há cerca de um ano, qual não foi a minha surpresa quando, na mesma técnica do “be aware of your thoughts but don’t be in them”, surgiu uma nova cor!

Surpresa! Ora toma lá mais um problema, outra consideração que não sabias que tinhas – bem feita para não te armares em esperta.

De olhos fechados e o corpo a derreter, vejo a bolha cinzenta, como sempre apareceu.
À direita desta, uma nova – escarlate, a brilhar.

E o pormenor, o pormenor! As gotas cinza e encarnada não se misturam mas tomam proporções algo quadradas para se colocarem lado-a-lado.

A bolha vermelha vem até mim com uma simples imagem. Um contorno básico a preto.

Uffff, só me faltava esta – percebi imediatamente o que significava, antes de me dar conta de forma consciente.

A partir daí… bolhas cinzenta e vermelha. Tentar empurrá-las para longe mas a cor vermelha tinge mais a memória…

Há poucas semanas atrás, lá arranjei um pouco para tentar relaxar.

Estou eu à espera das minhas bolhinhas imutáveis, lado-a-lado como que a gozarem comigo “Não podes fazer nada! Mas estamos aqui! Vamos fazer da tua vida um inferno – mesmo que não te apercebas disso”.

E agora surge uma azul…
É curiosa a cor que atribuí, sem dar por isso, a esta terceira questão.

Não me afecta tanto como a cinza ou a vermelha.
Aliás, vem dar algum balanço às anteriores.

Começo agora a ter 3 principais problemas ou focos emotivos de maior dor.

A bolha cinzenta está ali, com os mesmos pormenores, a mesma tonalidade e brilho.
A bolha vermelha, está ao lado direito da cinza. O encarnado é cada vez mais saturado e por vezes parece inchar.
Já a azul parece clamar por alguma atenção pois o problema é bem menor (mas ainda assim, preocupante). É a única bolha de menor dimensão e que não apresenta nenhum traço característico de algo realista.

Está ali, contendo traços e riscos que parecem brincadeira, não chateia mas apenas me faz pensar.

E agora, pelo menos por agora, são 3.

O estado de alma cinza que não sei se desaparece algum dia.
O aperto no coração vermelho que me deixa desamparada como uma teenager outra vez.
A paz disfarçada de aconchego no azul, que me diz somente “outros”.

São 3, mas na verdade são só 2.

Um pode desaparecer tão rápido quanto uma palavra.
Quanto ao outro tenho sérias dúvidas sobre se algum dia o deixarei de ver cada vez que fechar os olhos e me pedirem para observar o que sinto…

Recomendo experimentar, será que veriam quadrados? Cores? Pessoas?

Eu vejo sempre a mesma forma e começa a tornar-se irritante…

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