sistemas de cor

Comecei um desenho. Logo o risquei.

Apercebi-me do erro da representação do vazio.

Entre o espaço branco, o negro representa sempre o buraco, o vazio, o caminho escuro, um percurso? quiçá.

Preenchia um pedaço de vazio com a fluidez do preto quando me dou conta que não o deveria fazer.

O negro pode, sim, representar a escuridão que temos cá dentro.
Mas também o branco o faz de forma por vezes implacável.

Num mundo que não é a preto e branco, temos luz e temos cor.
E o vazio pode ser o branco tanto quanto o preto.

Porque tanto o escuro como o claro são a inexistência, a mistura pura de ondas ou pigmentos que resultam naquilo que “nada mais pode alterar”. A ausência não pode ser alterada, portanto.

Encontro-me numa rara disparidade no que toca ao brincar com as canetas… Quero representar aquilo que não pode ser descrito. Nem por imagens, nem mesmo por palavras. Portanto, escrevo.

Resta-me acrescentar a noção clara de o que se sente não se descreve. Aliás – nem tudo o que se sente, é próprio para explicar.

Emoções que só podem ser vividas na nossa redoma, longe de qualquer outro que nos possa tocar. Sensações que se podem adivinhar pelas nossas expressões mas que palavra alguma há-de tratar.

Então, ausência é…. [         ]

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