unhas

***
corpo deitado é forçado
levanta-te
respira…

a meia hora do inferno
os lençóis sentem-se agulhas
amigas das tonturas
(sentada já entendes)
ondula em embalo
mesmo no centro da cabeça
supostamente real
das unhas que tremem
com braços mortos 
e gelatina nas pernas
desejo mais a ternura 
do corpo a encolher
do tecido que pica
de deixar de ver
meia hora infernal
até a pele é irreal em
veludo quente que fervilha
resta pouco, respira
“afinal é um novo dia!”
entre todos os outros vividos
também eles novos
hipocrisia…
porque pedes tanto corpo?
deixa-me estar!
já não sei viver contigo
e não nos podemos separar
o escuro
o negro
o branco
ah! escuro outra vez!
faz sorrir
querer ir.
retornar?
“e depois – nada”
***

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