*estranho

corpo(s) estranho(s)

os poros arranjam-se em configurações diferentes
agarro o braço direito com as unhas fincadas da mão esquerda e o corpo esquece-se de sentir.
o mês anterior é sempre o de agora,
não é demência mas assemelha-se o suficiente, preciso fugir – ou parar de pensar sendo que a primeira seria mais fácil na praxis…

a única inevitável prisão é a do corpo, uma solitária de paredes estofadas onde nos permitimos perder – aliás, a única verdadeira solitária. Afeiçoo-me aos traços do tecido, à posição dos itens que constituem o meu espaço… e da próxima vez que abrir os olhos depois de morrer por umas horas um furacão passou na minha solitária e tudo está configurado de forma estranha, diferente…

é só a minha pele a provocar a neurose, prefiro o toque dos lençóis acabados de lavar.

how do you escape your own mind? I remember thinking that by now we would be able to teleport our minds into other bodies and that hope and certainty (perhaps simply naiveté) soothed me in my relentless desperate search to escape my own prison.

we are all prisoners –  we can always foresee but never avoid.

i have risen my arms and let my body fall – I won’t fight it no longer, not today at least.
i’ve come to terms with it 
(which radically differs from a joyous redemption)

i can hear the cracks of flesh becoming renewed – new is not ever a goal. 
(fuck I forgot again)





se mergulho em imagens todos os meus pedaços esquecidos sobem à consciência; a passagem para as letras – que não deixam de ser imagem também mas permito-me à negação – com o som do teclado é menos assustador do que a tela vazia…

telas vazias na parede 
telas vazias na mesa
telas vazias nas gavetas
telas vazias em mim


o branco também é cor. 

***

mal posso esperar por ir dormir
embora saiba que irei acordar
talvez esta noite não acorde no chão
ou com a cabeça pendurada na ranhura da madeira
não atire os lençóis contra a parede 
(tremendo de frio para recolher rapidamente o azul-céu 100% algodão)
 não sonhe com o que desejo.
talvez amanhã tenha valido a pena
não ter chorado por saber que o sono está perto…




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