meta (estou confusa, tl:dr – documentário altamente)

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man on the moon. Uma homenagem que fazia falta a um homem brilhante.
há quem diga que Jim Carrey foi um perfeito Andy (Kaufman). 
francamente, não gostei. Não adorei. Sempre tinha ouvido falar sobre o mau ambiente que Carrey causou nas filmagens porque optou pelo método de encarnar a personagem… constantemente. As histórias que se ouviram sobre o que se passou no backstage de Man On The Moon sempre me deixaram super curiosa.
de um lado há um Jim Carrey que se encarrega de viver em Andy de forma tão real que a própria família de Andy quis “a oportunidade de falar com ele” (filho, namorado, amigo, até pai da criança que nunca o conheceu…). 
por outro lado… a representação foi tão exagerada que não entendo como se pode rever alguém dessa forma…
não o sinto como um retrato fiel. Não há gentileza, subtileza ou carácter meigo no Andy Kaufman do filme.
é demasiado neurótico, stressado! Andy Kaufman é brilhante (aos meus olhos) por não ser nunca “demasiado”… nem na voz, nem nos tiques e muito menos na certeza.
era… justamente certo. Puro, limpo, simples. 
e o Andy de Carrey foi feroz, neurótico e delirante.
passou-me ao lado a exibição inicial deste documentário mas dediquei o dia para rever o filme original e ver o Jim & Andy pela primeira vez…
não sei o que pensar. Já são tantas camadas de verdade, mentira, mentira, verdade, verdade, mentira… 
desafio qualquer pessoa a ver o Man On The Moon e o Jim & Andy de seguida… são muitas sobreposições!
é assustador, embora terno, o lugar que Carrey assumiu enquanto Kaufman. 
estou ainda indecisa. E confusa. 
isto é muito. Muito mesmo. 
odeio todo o narcisismo e conversas rebuscadas sobre presenças fantasmagóricas. Odeio toda a pretensão de viver uma outra vida, a 100%. 
por outro lado, faz todo o sentido que assim seja para melhor resultado no filme…
entendo que o Jim Carrey optasse por este método radical para revisitar quem já foi. Não deve ser fácil. 
mas acrescentar algo mais à vida de um personagem com a explicação de que “Perdi o controlo e o Andy fez o que queria… não era eu”… 
finalmente estas imagens estão disponíveis, em forma de documentário, e adoro adoro adoro…
é só… algo incessante esta procura de viver uma outra pessoa, custe o que custar e doa a quem doer. Sempre com a mitigante de ser um mal necessário…
sempre gostei da pessoa por detrás das idiotices do Jim Carrey mas agora estou um pouco assustada… Estou triste e desiludida.
toda a história de Andy Kaufman parte-me o coração – parte sempre quando alguém que quer ser criança para sempre morre cedo. Mas a brutalidade do método para o filme desencantou-me…
já não sei se acho tanta piada ao filme depois de ver o documentário.
aconselho vivamente que seja visto. MESMO. É impressionante. Diz tudo e ainda mais e depois mais e mais e mais.
eu não quero estragar tudo e explicar o que acontece e todos os detalhes por isso está a ser difícil escrever estas palavras embora recomende tanto o filme como o doc. 
depois tudo o que escrevi aqui fará sentido. De certeza. 
qual é o sinal de stop para quem tenta viver outra pessoa? Haverá sequer um? Seria mais saudável encarnar personagem sem ter de a viver? 
e as questões sobre o Kaufman continuam porque esta merda não responde a nada e eu estou confusa e cansada e esqueci-me de comer porque estava concentrada nisto e já são muitos nomes e eu quero perceber mas é tudo tão meta que é impossível descolar as camadas umas das outras…

o meu grande problema é querer saber sempre mais. Porra.

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