*todos os fotogramas

a independência é sempre confirmada pelos passos que não têm eco.

sombra que se encontra a si. Sempre só a si.

as vidas trazem amores, paixões, dependências de um purismo ao qual não deveria ceder,

pontes que são experiência, queimadas ainda antes de chegar à margem.

“crise” é “oportunidade”, não em português mas certamente no ideal de um ser completo.

de outro ponto de fuga, “oportunidade” também é “crise”…

é na independência, folgada de doce, tão confortável quanto a pele permite,

que se encontram os fragmentos de memórias que a quebram, soltando-me para fotogramas nítidos de ombros, olhos e t-shirts,

é na independência, que me estilhaço. Inócuas visões transformam-se em paixões e todo o amor é perdido para sempre.

esteja sempre presente que o querer enquanto fisicalidade, o dito “desejo”, confirma uma força contra a qual não tenho armas. Absorvo-me no desejo e fico com sede – que munições seriam eficazes contra a biologia do prazer?

rendo-me facilmente, será? Não. Chuto as imagens para longe – onde não faça cócegas na barriga.
afirmo orgulhosamente que apanho todos os estilhaços, fragmentos do desejo não configurados e os deixo escorrer pela minha sombra. Nunca será difícil fugir.

e oiço ainda o tilintar do choque provocado entre visões que são memórias, oportunidades que foram crises (e não o contrário) – atrás de mim, como a sombra.

o sangue encarrega-se de impregnar todo o desejo com vontade e logo assim, repentinamente e não de livre vontade, os ombros, os olhos e a t-shirt afiguram-se como da primeira vez.

proibi-me. Irei proibir. As pontas dos dedos estão feridas, não voltarei a recuar um singelo passo para poder recolher os estilhaços…

o desejo pode levar-me e a luta torna-se desigual.

vou sempre render-me e jamais submeter os meus pedaços a outra oportunidade que foi crise.

não acredito no vice-versa (enquanto propulsor do desejo)

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